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ESPORTES DOS ANOS 40

A Chamada Segunda Guerra Mundial visitava, de relance, a terra dos Reis Magos.

15/03/2023 às 18h21
Por: Adrovando Claro
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ESPORTES DOS ANOS 40

Por Jurandyr Navarro

 

Faço um retrospecto, um tanto nebuloso, nas andanças do tempo, focalizando a querida Natal dos anos 40.

Foram dias atormentados para uma população de cerca de quarenta mil almas. A Chamada Segunda Guerra Mundial visitava, de relance, a terra dos Reis Magos. E os natalenses passaram por essa experiência bélica por poucos experimentados no Brasil.

Todavia, a existência de tropas militares, nacionais e internacionais, que enchiam as ruas, não perturbaram os aficionados das diversas modalidades desportivas. Já que eles continuavam a praticá-las a despeito das mudanças de alguns hábitos sociais, introduzidos pela presença estrangeira.

Uma das modalidades mais ativas desse momento histórico, foi, sem dúvida, o Remo, exercitado pelos sócios do Centro Náutico e do Sport Club, com rampas abertas às águas do Potengi amado.

As competições prosseguiam, de ano a ano, com o mesmo ardor, impulsionado pela rivalidade havida entre os contendores.

Lembro-me de uma guarnição a Quatro, que fez sucesso, pertencente ao Centro Náutico, de camisa preta e branca: Alvamar Furtado, Humberto Nesí, Marito Lyra, Armando de Góes e Luiz Gonzaga de Souza (patrão). Tal guarnição, passou invicta durante anos.

Outro remador que marcou época foi Amauri Moura, na especialidade de “Canoe”, rivalizando com Dácio Azevedo, na categoria de “Skif”, ambas modalidades de apenas um remador.

Naquele tempo, as competições do Remo atraíam muitos assistentes, que enchiam aquele espaço da Ribeira, em sua inesquecíveis Regatas.

Esportes que tinham preferência da população eram o Basquete e o Voleibol, o primeiro, era praticado na quadra do Aero Clube, no bairro do Tirol, e na quadra aberta da Praça “Pedro Velho”. O atleta José Lins, atuava, também, no Futebol, pelo Santa Cruz, era um dos incentivadores desse esporte da cesta. Outro que o imitava era José Augusto Bezerra, como técnico do time da AABB, cuja sede era na Avenida Deodoro da Fonseca, em Petrópolis.

O Basquetebol movimentou a cidade, por decênios.

Por esse tempo, o Voleibol também atraia adeptos. Houve um sexteto que empolgou torcidas, durante anos. Pertencia ao Centro Esportivo Potiguar. A equipe era formada pelos irmãos Matoso, Desdedith e Valdemar Matoso, outra família representada pelos irmãos Navarro, Jahyr e Jurandyr, e os demais José Gosson, Miguel Dantas, Renato Magalhães, Eleusis Cardoso, Abílio Fernandes e João Viana.

Era um time invencível. Vencia as equipes vindas da Paraíba, tal o Astreia, e vencia, também, os representantes das tropas militares, Marinha, Exército e Aeronáutica, sendo, esta última, a adversária mais difícil das pelejas efetuadas.

Essas contendas se realizavam, costumeiramente, na quadra aberta da praça Pedro Velho. Nos dias do jogos, nós rezávamos para não chover, já que a quadra não era coberta, como as de hoje, estas localizadas em Ginásios cobertos. Lembro-me de um jogo, com a Aeronáutica, que terminou perto da meia-noite, devido ao continuado empate das “duas consecutivas”.

Mas, a gente ganhou!

Outro opositor era o time o “Sete de Setembro”, representado pelos líderes Oscar e Cristalino Nogueira, dentre outros.

Vez por outra, duelava-se com os residentes da Casa do Estudante e os Oficiais da Polícia Militar, este últimos, numa quadra improvisada, por trás do Palácio do Governo, com o piso de barro.

Quando chuviscava a meladeira tomava conta...

Mas um episódio esportivo, relativo ao Voleibol daqueles dias. O Professor do Atheneu, Protássio Melo, era, à época, o tradutor oficial do idioma inglês, do nosso Estado.

O jornal “A República”, noticiou, uma manhã, ter havido um prélio de Voleibol, no então Campo Parnamirim, um dos palcos importantes daquela Guerra Mundial. E que ia haver uma solenidade naquele local e o orador-palestrante seria o citado docente. Faria em inglês, como o fez e foi um sucesso.

Para tal evento, o mencionadoprofessor acertou com os Norte-Americanos a realização de um jogo de Voleibol, entre eles e os natalenses, que eram alunos do Atheneu.

Houve a peleja, terminando com a vitória dos potiguares.

Os times assim se alinharam, nominalmente: Natalenses: Jahyr, Barbalho, Miguel, Bilá, Matoso, e Jurandyr. Americanos: Lourick, Blalclely, Brackdge, Fapli, Luadec, Brackcer, Donagala, Evans, knight.

Lembro-me, que depois do jogo, foi oferecido um “coquetel” de chocolate líquido gelado!

Em meio à festança, ouvia-se, sem cessar o ruído sonoro dos aviões decolando e aterrissando.

Paralelamentea essa atividade do Voleibol Masculino, acompanhávamos os jogos Femininos, entre as rivais da Associação Feminina de Atletismo “AFA”, e o Centro Esportivo Feminino (CEF). O primeiro desses clubes eram comandados pelas irmãs Asta e Vera China e, o segundo, por Cecília de Oliveira, seguindo-se as jogadoras Norma Castro, Ivone Lira Alves, Teresa Peixoto, Isa Filgueira, as irmãs Celi e Celuta Moura, e outras. Este Centro Esportivo Feminino tinha uma Sede e Quadra próprias no Tirol.

A Natação era outra modalidade esportiva muito praticada pelos natalenses dessa época maravilhosa, que não volta mais.

No rio Potengi o grande nadador que me lembro foi Amauri Moura, estilista dos melhores, aficionado do chamado “Craw”.

Naquele tempo a travessia do rio para a Redinha, era feita por botes a vela. Muitos acompanhavam a travessia a nado. Jahyr Navarro liderava a molecagem da rua Treze de Maio, nessa jornada aquática.

A praia da Areia Preta era frequentada por seus veranistas: as família de Luis G.M. Bezerra, de Nilson Carvalho, Jahyr Navarro, Cleantho Siqueira, Eleusis Cardoso, Zila Mamede, Magnólia Monteiro, Sérgio Severo e outras.

Desses veranistas saíram nadadores que faziam a travessia para a Praia do Meio, saíram daí pescadores e saíram, também, os cantores de serenatas...

E aqueles, entre nos outros, que desciam o antigo Morro do Pinto, deslizando em tábuas ensebadas, em demanda às espumas, trazidas pelas ondas, das marés enchentes do mês de janeiro!

A Praia do Pinto, hoje Miami, ao lado da Areia Preta, foi o recanto escolhido pelos Americanos, durante a Segunda Guerra Mundial.

Entre os Anos quarenta e cinquenta, houve um fato inédito no esporte natalense e brasileiro. Uma Guarnição de Remadores, liderada por Ricardo Cruz, realizou um “Raid”, Natal-Rio, feito marcado, no calendário do tempo pelo nosso esporte náutico.

No retorno da citada guarnição náutica, a Natal, foi marcada uma recepção comemorativa, na Praça “Pio X”, irradiada pela Rádio Educadora de Natal (REN). Neste ato solene, uma moça da nossas sociedade, de nome Arilda Torres Veiga, aluna do Colégio da “Conceição”, fez a saudação parabenizando os heróicos participantes do feito memorável. A foto, ao lado, retrata o momento desse evento, em que a dita oradora pronunciava estrofes da poesia do potiguar Cosme Lemos, trecho escolhido pela poetisa Palmira Wanderley.

Os Esportes praticados nos Anos 40, em Natal, deram impulso a realizações futuras, realizações multiplicadas pelo contínuo trabalho de condutores responsáveis, por área tão importante da vida humana.

 

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